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domingo, 25 de janeiro de 2009

Ela esteve presa por algumas naquele lugar em que passou sem ser vista.

Ninguém precisava vê-la, ver a sua cara inchada, seus pés descalços, o andar torto.

Uma folha caindo na testa e o que lhe resta?

Rezar por entre os vivos, secar a fonte, rastrear a vizinhança?

Escreveu nada com nada diante daquele papel seco.

Aquela folha ficou lá, jogada como ela entre as cercas,como um jazigo desocupado.

Ela está obscura demais. Daqui a pouco começa a citar os profanos da mitologia negra.

Sim, negra porque às claras não quer ser vista.

Joga fora todo aquele passado sujo, veste a roupa da liberdade e bebe o cálice da puberdade.

Êita idade!

__________________________________Lane Cardoso

Caos

Eu não agüento tanta gente. Eu não agüento essa gente.Devorar-te como um cão faminto ou um diabo que foi pra cruz.

Desisto das mediocridades destas horas, desisto das filas, insisto na lógica.Fio a fio de lã, a garganta entalada, não desce, não desce.

Nestas luzes, faróis altos, cidade cinza, aperto nas escadas, corredores escuros, calçada abarrotada.

Quero a brisa, o andar devagar na calçada, o vento soprando, a parafina desbotando meu cabelo. Oras, que escolha, que escola!

Aprendendo na marra, saltando cedo da cama, se vestindo apressado, a meia trocada, o sapato sem graxa. Isso não, vida!

No quarto, o cd jogado, a bolsa atirada, a roupa úmida, o gelo descongelado na bebida. Isso não, loucura! Este ritmo não faz bem.

Ele quer jogar tudo pro alto e agarrar só o que vale a pena.

Deitar e levantar lentamente, somente.


__________________________________Lane Cardoso

sábado, 24 de janeiro de 2009


Fazia tempo que esta brisa tão tocava o meu rosto...
Este azul celeste me lembra uma infância não tão distante.
Ecoam esses sons do mar bem longe, onde o vento costumava balançar meus cabelos.
Saudades daquela época em que a gente escutava os pássaros cantarem. Hoje eu não escuto mais. É efêmero não pensar neste retorno. Voltar pra aquela cabaninha onde o monte de areia servia pra te consolar com aqueles castelos mal-feitos.
Juventude estática, voando alto, saltando entre as estrelas.
Diariamente se vê da janela aquele sol brilhante com nuvens cor de neve...
Lembro-me de quando me balançava na rede e eu adormecia.
No espelho sentindo o cheiro do café pra depois sentir o gosto do pão.
Brincando de roda e teu olhar atendo a todas às nossas manobras. Aquela criançada.
Não tentei ser o que sou, foi por acaso...
Ser esta vastidão de saudade, de alegria.
E por ora, nostálgica.
Queria todo aquele sol, todas aquelas nuvens pra te agarrar no horizonte, no infinito.
Enquanto o sonho permeia minha noite,
Resta-me dizer que eu te reencontrarei um dia.

__________________________________Lane Cardoso

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Metendo o bedelho


Outro dia fui abordada por alguém dizendo: “Magra desse jeito e fumando” e então eu disse: “Porra! Nada contra, mas por que tu não começas a fumar? O que isso têm demais? A vida é minha, o dinheiro do cigarro é meu, o pulmão também... Mas, ando pensando em me manter assim... fico aqui escrevendo um monte de asneiras, o mundo girando, as pessoas morrendo de fome, de sede, o dólar subindo, aliás, o que tem haver eu e o dólar? Eu compro é em reais... hahaha... tenho mais no que pensar, oras! Com qualquer moeda se compra comida pra matar a fome e água pra matar a sede...
Uns ficam ricos, outros ficam pobres, outros doentes, outros com saúde até demais, outros mega-empresários, donas de boutique, que loucura... Eu gosto mesmo é de escrever e viver... primeiro eu vivo e depois eu escrevo..mas,espera aí?
E ainda tem gente se preocupando com o meu cigarro!?
Ah... meu caro  só vivendo..só vendo..só morrendo...eu...juro!
Vou falando,vou cantando,vou contando nada com nada, mas o que importa é isso, depois somos relembrados.
Relembro tanta gente, tanta coisa, leio tanto dos imortais, dos mortais, dos que vão e voltam.
Acrescentar isso à minha vida, ao meu passado, escrever pro futuro... Danem-se quem acha louco, um absurdo.
Profano é não viver, não dar uns tragos, uns goles, não aproveitar o mar, não descer nas ondas, não ver o sol, não admirar a lua, não me mostrar as estrelas, não cultivar o bem, querer meter o bedelho na vida alheia.
É o que digo: quero mais é viver, viver aqui e quem sabe acolá. Viver acolá e quem sabe viver aqui.
Querem me “indireitar”...
Ah!Não meta o bedelho!
Do meu cigarro e dos meus tragos cuido eu!

__________________________________Lane Cardoso

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Tragos entre goles




Estive pensando em um monte de coisas esta noite...
Em todos os tragos ,em todos os goles...em todos os outros...
Aquele gole macio,aquele trago quente,aqueles outros frios...
Estava mesmo naquele lugar.
No lugar onde não poderia entrar.
Os fios de lã...o tecido de seda pura,
O contraste teu e meu,
Enrolada nos lençóis...
Selva...ahhh...doce selva...
Antes de acordar...o sol já brilhava...a respiração já ofegava...
Num instante parecia que iria acabar...mas acabara de começar!
Desleixo,te deixo...Lembrar do trago,daquela garrafa de uísque...naquele lençol amarrotado...
Ah...corro pra te pegar....de novo...
Com muitos tragos e em outros goles.

__________________________________Lane Cardoso

sábado, 17 de janeiro de 2009

Luigi


"Chegou o amor.
Bateu a porta devagar
e sem pedir licença pra entrar.
Entoou versos secretos,jurou sempre amar.
Juras poéticas,frases enfáticas,nem precisou começar.
O brilho intenso dos teus olhos em meu coração está.
Enche-me de alegria saber que longe de ti,eu nunca mais irei ficar."

________________Lane Cardoso____________

Desenhos

"Um lapso.
um lapso!
Um lápis pra desenhar
tudo o que penso.
Tudo o que é tenso.
Tudo o que é denso.
Fantasias
em suas entranhas
eu alcanço.
Fantasias das lembranças
no descanço.
Viajo no deslize do
meu ego.
Esqueço no deslize
do que vejo!
Não me traga a tua
dor.
Fora do meu peito!
Dor do imenso,tenso amor."

__________________________________Lane Cardoso

Pertenço.

"Sou do sol e da lua.
Do inverso e do controverso,
Do frio e do calor,
Da demora e da espera,
Da esfera e do longínquo,
Do seco e do molhado,
Do imenso e do pequeno,
Do retrato e da presença,
Do escuro e do claro,
Do retrocesso e do recomeço,
Da essência e da brisa,
Do Sudeste e do Nordeste,
Do gelado e do fervor,
Do mais e do menos,
Da cara e da coragem,
Do mar e da terra.
No fim, serei das flores.”
__________________________________Lane Cardoso

Picasso

Você não imagina o trabalho que tive para fazer isso, porque é preciso desenhar cada letra de trás para frente.(Picasso)

(ossaciP)".etnerf arap sárt ed artel adac rahnesed osicerp é euqrop,ossi rezaf arap evit euq ohlabart o anigami oãn êcoV."


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Desabafo.

Ele estava andando no meio da chuva.
Encontrou um poste.
Encostou a cabeça e desabou a chorar.
Não encontrou a sorte.
Andou meio devagar e com um passo na morte,
Relutou em desabar...
Triste fim de Joaquim...
Neste instante um senhor veio a o abordar...
Não teve pressa em lhe contar da traição de Mariah...
Das dores de cabeça,
Nem a ciência poderá explicar...
Triste fim de Joaquim.
Alegre começo de Mariah.

Lane Cardoso

Desaponto.


Eu te escutei levantar no meio da noite.
Efêmera a minha presença na tua cama,
Vontade louca de te puxar pra dentro dela...
Acariciar-te até a alma.
Fugiste. Não és capaz.
Não tens força pra me seduzir...
Foste embora...
Feliz da minha solidão
Amanhã estarei mais forte...

_______________Lane Cardoso

Anseios

"Retrocesso, recomeço, submerso.
Andar, vagar, chegar.
Recomeço,submeto,atravesso.
Anseios.

Fim.

Se fôssemos infinitos
Tudo mudaria.
Então, que o tudo permaneça
Como está."


Lane Cardoso

Kitupira...

"Desviando da saudade o tempo todo...
Pra me ferir menos...
Eu sei que ela está lá...
E em desvios se faz pequeno...
O tempo..."

"Kitu nós...kitu quer...
kitu vai...Kit vêm..
Kitu céu...Kitu mar...
Kitu tu tá...tá...tá..
Não posso negar...
Kitu...saí de mim...
Kitu é assim...
Sim,posso afirmar...
é um reboliço que
em meu coração há..."

Lane Cardoso

Deitaste...

As folhas deitaram...
Folhas deitadas, crepúsculos surgindo...
Nascidas de uma volta que o vento dá
Flores em torno dos teus olhos
Nem consigo relembrar.
Caminhos sem voltas!
Voltas que a Terra dá.
Sinto uma loucura pesar,
Um filme em preto e branco,
Sem cores, sem ar
Posso te deixar deitado
Porque não consigo te levantar
Ah... Voltas que a Terra dá!
Em meu peito
Só há dor a me acompanhar...

Lane Cardoso